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A grande questão: metro quadrado ou colaborador

22/02/2012

Durante o último Higicon, congresso da cadeia da Limpeza Profissional realizado em São Paulo, no começo de agosto, Paulo Peres, diretor da Abralimp na Câmara Setorial de Serviços comentou sobre a dificuldade do mercado tomador de serviços em entender algumas questões próprias da gestão em Limpeza Profissional.

Uma das questões levantadas por Peres foi sobre como os contratos feitos deveriam ser celebrados. Segundo empresários das empresas limpadoras, o melhor modelo é aquele onde é estabelecido quantos metros quadrados devem ser limpos, deixando assim toda a logística da operação, como número de colaboradores, quais equipamentos usar, etc. para o prestador de serviço.

O que é visto, porém, no mercado atual são contratos onde fica claramente definido o número de auxiliares que prestarão o serviço. “Não vivemos mais na época da escravidão. O que nossas empresas deveriam vender é a solução, não uma determinada quantidade de homens para o serviço”, comentou um empresário durante a sessão de perguntas da palestra de Peres. Fica a pergunta: qual é a melhor solução para esse dilema?

Segundo José Augusto Giesbrecht da Silveira, membro do quadro de professores da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP), como o estado da limpeza de um local é algo subjetivo, ou seja, dependendo do observador uma mesma área pode estar limpa ou não, empresas tomadoras de serviço tendem a contratação de pessoas, não serviços. “É mais fácil um empresário ver que tem 10 homens trabalhando na limpeza do que chegar ao local e observar se a área foi limpa ou não”, explica.

Assim, ao contratar pessoas, em vez de soluções, o empresário acaba escolhendo um preço completamente mutável, ficando à mercê de contratos abertos onde terá que sentar para discutir com o prestador de serviços item por item, algo que poderia ser evitado caso tivesse escolhido um contrato fechado. Vale ressaltar, porém, que apesar da alcunha de preço fixo, o contrato por solução também está à margem de fenômenos variáveis, como impostos, aumento do salário etc.,

Ainda sobre a questão de preço fixo x preço mutável, Silveira faz um interessante paralelo com a construção civil: oara fazer uma rodovia, o governo fecha um preço fixo com a empresa responsável pelo empreendimento, ou seja, caso essa empresa erre nos cálculos e gaste um pouco mais no asfalto, por exemplo, ele terá que assumir esse prejuízo. “Por essas razões, empresas que oferecem preço fixo a seus clientes sempre cobram pouco mais caro do que o preço variável, já que estão assumindo parte do risco.”, comenta. Em um mercado tão competitivo como a Limpeza Profissional, onde impera uma guerra de preços e não qualidade, esse dado pode ajustar a explicar o quadro.

Mercado indeciso – Segundo Rodolfo, nome fictício de um gerente de operações que pediu para não ser identificado, além dos problemas referentes ai preço fixo e preço mutável, o próprio mercado ainda não decidiu qual modelo de contrato ele prefere. Segundo ele, quando uma empresa faz o orçamento, ela tem a sua própria logística, o que reflete diretamente no preço. “O que acontece é que se a minha empresa, por ter uma logística diferenciada, consegue limpar uma área com 10 homens, por exemplo, isso não quer dizer que outra empresa também consiga. O que ocorre, porém, é que o mercado faz toda a negociação por metro quadrado limpo, mas na hora de fechar o contrato prefere contratar por auxiliar”, comenta.

Luiza, outra funcionária com nome fictício de uma empresa que possui todos os seus contratos celebrados por números de colaboradores complementa. Segundo ela, “o mercado não sabe o que quer, pois muitos querem contratar serviços, mais ficam contando cabeça no dia a dia. Essa contradição ocorre com muita frequência pois pedem preço por m2 ou por escopo de serviço, mas faz questão de ter a planilha aberta com número de colaboradores, salários, benefícios, etc.

Na opinião dela, a falta de mão de obra que a cadeia está enfrentando faz que as prestadoras de serviços sejam mais criativas, mas enquanto o tomador de serviço ficar contando cabeça e fazendo média per capta na hora de contratar, ficará difícil mudar o mercado.

Além da possibilidade de sobrecarregar seus colaboradores, outro problema apontado pelas empresas limpadoras se refere à penalização prevista caso um colaborador falte. “Para um gestor não importa se a equipe conseguiu realizar a limpeza com a ausência de dois ou três homens. Para ele, como o funcionário não esteve presente, a empresa limpadora deve ser penalizada”, diz Rodolfo.

Esse tipo de empresa, porém parece ser cada vez mais raro. Para Luiza, hoje apenas alguns clientes “solicitam o desconto da falta sem cobertura, mesmo o colaborador que permaneceu no posto ter realizado todas as tarefas do faltante. Mas hoje em dia, temos conseguido negociar melhor em questão.”

Questionado se existe uma solução para essa questão, Silveira diz que não existe uma questão de fato, apenas uma luta entre dois modelos. De um lado estão as empresas buscando diminuir ao máximo o número de colaboradores enquanto do outro lado se encontram tomadores de serviço que buscam contratos onde seja possível quantificar a qualidade do serviço.

Na opinião dele, o que pode ser feito para deixar as duas partes satisfeitas seria um contrato misto: o tomador de serviços contratará a empresa por metro quadrado, mas em contrapartida, a empresa manterá um número mínimo de colaboradores todos os dias. Com isso, diz o professor, a empresa irá realizar suas operações sem problemas e os tomadores terão uma maneira de saber se o contrato está sendo seguido de maneira idônea. “Contudo, é preciso que o tomador e o prestador de serviços confiem um no outro”, finaliza Silveira.

Revista Higi Plus

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